
A nossa casa situa-se na zona mais agradável da ilha. Temos alguns vizinhos, sendo a sua maioria pessoas nativas. Por vezes, da nossa casa, conseguimos ouvir uma rapariga jovem a cantar. Ela chama-se Alana e tem uma voz suave e aguda. Ela é várias vezes acompanhada pelo ukulele* do seu irmão, Manu. Por entre palmeiras e praias, acendem-se fogueiras às sextas-feiras e sábados, o que torna as noites de fim-de-semana ainda mais mágicas do que o normal. Estas pequenas coisas fazem-nos sentir bem, fazem a nossa cabeça arejar, e esquecer os problemas do dia-a-dia. Um dia destes, eu e o Max juntar-nos-emos a eles, porque fomos convidados pessoalmente por Manu. Sinto-me bem vinda neste lugar, contrariamente à egoísta cidade de Los Angeles, as pessoas gostam mesmo de nos receber.
O Max decidiu, na semana passada, que devíamos pintar a casa. Ele, tal como eu, achava que uma boa pintura, daria à nossa casinha uma nova vida. Tínhamos andado a deliberar acerca das cores e texturas que ficariam melhor em cada uma das divisões.
- Eu já disse que quero azul bebé no quarto, - dizia-lhe sempre eu - fica bem com a madeira!
- Eu continuo a preferir branco ou amarelo, mas tu é que sabes! - respondia maquinalmente Max.
Eu já sabia que seria eu a ganhar a luta, como sempre, por isso, no dia seguinte, fui comprar as tintas.
- Aloha kakahiaka*! - saudou o dono da superfície comercial - O que deseja?
- Uma lata de tinta azul bebé, uma de tinta verde, uma de tinta amarela e três de tinta branca, por favor.
- Aqui tem o que deseja! - sorriu ele, e eu consegui denotar o seu sotaque havaiano.
- Obrigada.
No entanto, as latas haviam permanecido na minúscula arrecadação, até ao dia em que a nossa preguiça se extinguisse... Até ao dia de hoje, exactamente uma semana depois.
Acordei cedo e abanei o Max, que continuava deitado de barriga para baixo. Aproximei-me dele e arranquei-lhe um cabelo loiro.
- Au! - queixou-se ele, virando-se na cama - Queres-me torturar ou quê?
- Está na hora de pintar a casa, põe-te a pé.
Vi que ele tentava olhar para o despertador, mas fui mais rápida do que ele e roubei-o.
- Hey! - gritou ele - Deixa-me ver que horas são!
- São nove e meia! - menti.
Na realidade eram sete horas da manhã.
- O quê? - exclamou ele, levantando-se da cama - Já?
- Sim, e por isso, vamos pintar a casa, já que perdeste as tuas "adoradas ondinhas matinais" - retorqui.
Ele resmungou durante a sua ida até à casa de banho e saiu de lá resmungando ainda mais.
"Ai pai, ai mãe! Vocês criaram aqui uma mentirosa profissional!", pensei, contente.
Assim que vi que ele já estava vestido, agarrei-o pela manga da t-shirt até lá fora. Mais uma vez, ele queixou-se e praguejou até não poder mais. Apesar de ter 22 anos, ele agia como uma criança de 10.
- Anda lá, anda lá. Quero uma casa bonita. - dizia-lhe eu, alegre.
Começámos por pintar a parte de fora. Com uma lixa tirámos toda a tinta antiga, e começámos a trabalhar a sério! Mas nunca pensei que isto pudesse ser tão cansativo! O Max quase caiu da escada que necessitávamos para subir até à parte mais alta da casa, apesar de esta ter apenas rés-do-chão. Em vez de agir como uma criança de 10 anos, começou a agir como um bebé de 18 meses.
O Max decidiu, na semana passada, que devíamos pintar a casa. Ele, tal como eu, achava que uma boa pintura, daria à nossa casinha uma nova vida. Tínhamos andado a deliberar acerca das cores e texturas que ficariam melhor em cada uma das divisões.
- Eu já disse que quero azul bebé no quarto, - dizia-lhe sempre eu - fica bem com a madeira!
- Eu continuo a preferir branco ou amarelo, mas tu é que sabes! - respondia maquinalmente Max.
Eu já sabia que seria eu a ganhar a luta, como sempre, por isso, no dia seguinte, fui comprar as tintas.
- Aloha kakahiaka*! - saudou o dono da superfície comercial - O que deseja?
- Uma lata de tinta azul bebé, uma de tinta verde, uma de tinta amarela e três de tinta branca, por favor.
- Aqui tem o que deseja! - sorriu ele, e eu consegui denotar o seu sotaque havaiano.
- Obrigada.
No entanto, as latas haviam permanecido na minúscula arrecadação, até ao dia em que a nossa preguiça se extinguisse... Até ao dia de hoje, exactamente uma semana depois.
Acordei cedo e abanei o Max, que continuava deitado de barriga para baixo. Aproximei-me dele e arranquei-lhe um cabelo loiro.
- Au! - queixou-se ele, virando-se na cama - Queres-me torturar ou quê?
- Está na hora de pintar a casa, põe-te a pé.
Vi que ele tentava olhar para o despertador, mas fui mais rápida do que ele e roubei-o.
- Hey! - gritou ele - Deixa-me ver que horas são!
- São nove e meia! - menti.
Na realidade eram sete horas da manhã.
- O quê? - exclamou ele, levantando-se da cama - Já?
- Sim, e por isso, vamos pintar a casa, já que perdeste as tuas "adoradas ondinhas matinais" - retorqui.
Ele resmungou durante a sua ida até à casa de banho e saiu de lá resmungando ainda mais.
"Ai pai, ai mãe! Vocês criaram aqui uma mentirosa profissional!", pensei, contente.
Assim que vi que ele já estava vestido, agarrei-o pela manga da t-shirt até lá fora. Mais uma vez, ele queixou-se e praguejou até não poder mais. Apesar de ter 22 anos, ele agia como uma criança de 10.
- Anda lá, anda lá. Quero uma casa bonita. - dizia-lhe eu, alegre.
Começámos por pintar a parte de fora. Com uma lixa tirámos toda a tinta antiga, e começámos a trabalhar a sério! Mas nunca pensei que isto pudesse ser tão cansativo! O Max quase caiu da escada que necessitávamos para subir até à parte mais alta da casa, apesar de esta ter apenas rés-do-chão. Em vez de agir como uma criança de 10 anos, começou a agir como um bebé de 18 meses.
Por volta do meio dia, ouvimos alguém a chamar por nós.
- Ho'olu komo la kaua*! - gritava Alana, a nossa vizinha.
Ela trazia consigo uma espécie de tambor de madeira e pele de animal.
- Nós não falamos havaiano! - gritei-lhe.
Ela soltou um "Ah!" de compreensão.
- Além disso, estamos a pintar a casa! - disse-lhe, apontando para o pincel.
Ela olhou para o pincel e depois para mim. Consegui ver como ela era bela, apesar de ter apenas quinze ou dezasseis anos. Ela fez um gesto para eu esperar e correu até um sítio, mas este não fazia parte do meu ângulo de visão. Resolvi continuar a pintar, e corri em direcção ao Max, para ele não cair da escada.
Cerca de 10 minutos depois, ouvi um burburinho atrás de mim e um grito chamou-me:
- Kelly!
Olhei para trás e vi que estavam cerca de doze pessoas, incluindo Alana e Manu, junto ao portão de madeira.
- Viemos ajudar-vos! - gritaram, em coro, antes de invadirem a nossa propriedade.
Só me lembro de me roubarem o pincel e de Alana, juntamente com a sua amiga Inoa, me levar para longe da zona de trabalho.
Fizeram-me cantar, juntamente com elas, algumas canções tradicionais.
- Tens de aprender algumas - obrigavam-me elas, e eu ria-me bastante com a reacção delas sempre que eu dizia alguma palavra mal.
Ao final do dia, quando já toda a gente se tinha ido embora, Max veio ter comigo e beijou-me.
- Ainda não tinha feito isto, hoje...
Beijou-me mais uma vez e abraçou-me.
- E nem penses que eu não sei acerca das horas! - confidenciou.
Sorri. A casa e todas as divisões estavam pintadas, e tudo por causa daquela gente simpática. Os homens trabalharam bastante, enquanto que nós, as mulheres, cantámos para eles...
- Alinhas? - perguntou-me Max, apontando para as nossas pranchas, pousadas junto à vedação.
- Um surfzinho pré-nocturno? Parece-me bem! - concordei, antes de correr em direcção à prancha.
O belo pôr do sol... O final de mais um dia.
* Ukulele: guitarra tradicional havaiana parecida com um cavaquinho português.
* Aloha kakahiaka: "bom dia".
* Ho'olu komo la kaua: "junta-te a nós".
- Ho'olu komo la kaua*! - gritava Alana, a nossa vizinha.
Ela trazia consigo uma espécie de tambor de madeira e pele de animal.
- Nós não falamos havaiano! - gritei-lhe.
Ela soltou um "Ah!" de compreensão.
- Além disso, estamos a pintar a casa! - disse-lhe, apontando para o pincel.
Ela olhou para o pincel e depois para mim. Consegui ver como ela era bela, apesar de ter apenas quinze ou dezasseis anos. Ela fez um gesto para eu esperar e correu até um sítio, mas este não fazia parte do meu ângulo de visão. Resolvi continuar a pintar, e corri em direcção ao Max, para ele não cair da escada.
Cerca de 10 minutos depois, ouvi um burburinho atrás de mim e um grito chamou-me:
- Kelly!
Olhei para trás e vi que estavam cerca de doze pessoas, incluindo Alana e Manu, junto ao portão de madeira.
- Viemos ajudar-vos! - gritaram, em coro, antes de invadirem a nossa propriedade.
Só me lembro de me roubarem o pincel e de Alana, juntamente com a sua amiga Inoa, me levar para longe da zona de trabalho.
Fizeram-me cantar, juntamente com elas, algumas canções tradicionais.
- Tens de aprender algumas - obrigavam-me elas, e eu ria-me bastante com a reacção delas sempre que eu dizia alguma palavra mal.
Ao final do dia, quando já toda a gente se tinha ido embora, Max veio ter comigo e beijou-me.
- Ainda não tinha feito isto, hoje...
Beijou-me mais uma vez e abraçou-me.
- E nem penses que eu não sei acerca das horas! - confidenciou.
Sorri. A casa e todas as divisões estavam pintadas, e tudo por causa daquela gente simpática. Os homens trabalharam bastante, enquanto que nós, as mulheres, cantámos para eles...
- Alinhas? - perguntou-me Max, apontando para as nossas pranchas, pousadas junto à vedação.
- Um surfzinho pré-nocturno? Parece-me bem! - concordei, antes de correr em direcção à prancha.
O belo pôr do sol... O final de mais um dia.
* Ukulele: guitarra tradicional havaiana parecida com um cavaquinho português.
* Aloha kakahiaka: "bom dia".
* Ho'olu komo la kaua: "junta-te a nós".


